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AGONIA, por IGOR QUADROS

  • 8 de ago. de 2018
  • 3 min de leitura

Gênero: Terror

Publicação independente.


SINOPSE:

"Uma coletânea de cinco contos de terror. Um menino que adoece por um contato sobrenatural; um casal disposto a sacrificar tudo para alcançar um outro mundo; estranhos fenômenos acontecendo em uma cidade no interior do Pará; uma idosa solitária que ouve um choro no andar de baixo de sua casa; duas irmãs que se odeiam, mas que se unem para sobreviverem a um sequestro. Situações angustiantes, escolhas perturbadoras e retratos da psique humana fazem parte desta obra."


Primeiramente, Igor Quadros é meu conterrâneo. Para aqueles que não sabem, somos ambos de Belém, capital do Pará, onde mitologia e sobrenatural são temas com os quais já se tem familiaridade por aqui. Ele foi o primeiro autor que eu conheci da minha própria terra, e conhecer a obra dele foi uma agradável surpresa.


Agonia é uma coletânea de contos, ou antologia, como é mais comumente chamado esse tipo de obra. Os contos não têm ligação entre si, mas todos se enquadram nos gêneros suspense e terror psicológico, e todos são, aparentemente, ambientados no Pará. Para mim, as premissas das histórias são muito boas, e os personagens são convincentes e bem construídos, o que geralmente é um desafio quando se escreve um conto, onde o autor não pode gastar muitas linhas só com construção de personagem.


E uma coisa que o Igor faz muito bem é construir o suspense. Ele trabalha bem a expectativa, prende o leitor na história e o deixa ansioso para finalmente saber o que está acontecendo. A narrativa é muito fluída, a revisão do livro foi muito bem feita, assim como a diagramação, e no final de cada conto você encontra uma ilustração que representa algum momento daquela história e todas elas são lindas. Meus parabéns ao Marcos Anderson, que foi o ilustrador responsável e que fez um ótimo trabalho. As ilustrações têm um estilo de desenho "rabiscado", em preto e branco, que combinou bastante com a temática de horror psicológico do livro.


Ilustração do conto Sacrifícios.


Inclusive, elas me fizeram lembrar das ilustrações de outro livro paraense, chamado Visagens e Assombrações de Belém, escrito por Walcyr Monteiro, que é um livro que eu adoro (li ele quando era bem nova, e é um dos meus livros de cabeceira até hoje), e o estilo das ilustrações é bem similar ao dele, o que eu achei bem legal, sendo proposital ou não. Pretendo fazer uma postagem falando sobre ele, no futuro.


Ilustração do livro Visagens e Assombrações de Belém.

À escrita do autor, entretanto, falta um pouco de polimento, de atenção com o uso de certas palavras, mas é algo que não chegou a me incomodar, de fato, e que pode passar despercebido pelo leitor mais casual.


Porém, algo que particularmente me incomodou foi um padrão narrativo que eu pude observar em quase todos os contos. Em certos casos, eu acho interessante quando a história termina e, ainda que o leitor tenha recebido algumas respostas, surgem outras perguntas, quando a narrativa não entrega tudo o que está acontecendo ali, e deixa você livre para imaginar e interpretar aqueles pontos em aberto como quiser. Contudo, nesse livro, esse recurso foi usado de uma maneira um tanto exagerada, ao ponto de você ler e, ao invés de entender um pouco do que houve, não entende nada do que houve. A sensação que fica é que o que acabamos de ler foi apenas uma sucessão de acontecimentos bizarros, que só estão ali com o único propósito de chocar e serem bizarros. E isso não acontece em apenas um ou dois contos. Na verdade, apenas um dos contos escapa desse padrão, que se chama O Choro. A trama dele é bem fechada e deixa bem claro o que está acontecendo, e ainda assim mantendo o suspense de uma forma satisfatória e com um bom final. Inclusive, esse conto está disponível de graça no Wattpad, no link que eu vou deixar no final dessa postagem.


No meu caso, o uso exagerado desse tipo de narrativa acabou causando mais frustração que curiosidade, na maioria das histórias. Mas há a possibilidade de que esse aspecto seja relativo para cada um.


No geral, Agonia é uma boa antologia de terror psicológico, e o Igor é um escritor com imenso potencial. Espero que eu possa ler outra obra dele em breve e falar dela para vocês. Se você é um leitor desse gênero, eu encorajo você fortemente a conhecer o trabalho dele.


> O Choro: https://www.wattpad.com/289260970-agonia-o-choro


> Instagram do ilustrador Marcos Anderson: @marcosandersonartista




 
 
 

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